Procuradoria-geral da República já teria a gravação de chantagem feita por Agripino!

26 de fevereiro de 2015

Delator teria gravado conversa em que senador cobrou propina 1 milhão para a campanha.

A palavra de três dos réus da Sinal Fechado e mais documentos de movimentações bancárias feitas por George Olímpio não são as únicas provas enviadas a Procuradoria-Geral da República, contra o senador José Agripino, presidente nacional do DEM, por suposto envolvimento no esquema denunciado na Operação Sinal Fechado. Há informações de que George Olímpio teria também gravado o diálogo feito com o parlamentar no dia em que ele cobrava a propina de R$ 1 milhão para manter a inspeção.

O áudio enviado para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, confirmaria o conteúdo do depoimento prestado por George Olímpio após assinar a delação premiada com o Ministério Público do RN. Ou seja: confirmaria que José Agripino cobrou R$ 1 milhão em doações para a campanha dele, em 2010, quando foi reeleito senador da República.

O Ministério Público do RN – que reuniu os elementos (depoimento e documentos) contra José Agripino e os enviou para a Procuradoria-Geral da República, órgão responsável por investigar senadores, detentores de foro privilegiado – não confirmou a existência desse áudio. Essa nova prova teria sido enviada diretamente para a PGR, pelo réu, sem passar pelo MPRN.

Em depoimento divulgado nesta semana pelo MPRN, George Olímpio conta que foi procurado pelo ex-suplente de Agripino, João Faustino (que faleceu em 2014), entre o final de agosto e o início de setembro de 2010. Faustino teria marcado mostrado pesquisas que davam a vantagem a candidata do DEM, Rosalba Ciarlini, e sugerido que George agendasse uma reunião com Agripino.

“Conversamos amenidades e tal e quando ele me apresenta a pesquisa eu já caí na real que ali representa alguma coisa”, afirmou George Olímpio no depoimento prestado ao MPRN, antecipando que sabia que a procura de João Faustino representava o início da negociação para doação de campanha.

Apesar de boa parte do depoimento de George Olímpio confirmar a delação premiada de outro réu, Alcides Barbosa, e, consequentemente, também de Gilmar da Montana, eles diferem em alguns momentos. “Aquele negocio que Alcides falou de festa, de coquetel, aquilo ali não existiu. Coquetel para tratar de propina, não existe. O que existe é o que estou dizendo”, afirmou George.

Delator fez empréstimo para pagar propina a Agripino

De acordo com George Olímpio, Agripino cobrou R$ 1 milhão para ele, porque o valor seria o mesmo doado para a campanha de Iberê Ferreira. “Eu disse: ‘olhe, posso participar da campanha do senhor, mas estamos num momento de muito aperto. A condição que a gente vai ter melhor é a partir de 2011′. Aí ele: ‘E quanto é que você pode dar agora?’ Fiz uns cálculos rápidos. Aí ele: ‘Então me arrume R$ 500 mil’. Aí eu: ‘olhe, também não tenho condição de arrumar R$ 500 mil’. Aí eu disse ‘olhe, tenho condição de arrumar já R$ 200 mil para o senhor’, porque para mim aquilo foi um aviso muito claro que, ou você participa, ou você perde a inspeção. Uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem”, relembrou.

O réu da Sinal Fechado afirmou que, em outra conversa com o senador, conseguiu juntar R$ 300 mil para doar para ele e acertou que o restante, os R$ 700 mil cobrados por Agripino, seria garantido por meio de empréstimos (conforme sugestão do próprio senador) junto a Marcílio Carrilho, presidente municipal do DEM, e Ximbica, empresário e que na época era suplente de Agripino – seria substituído naquele ano por João Faustino.

Com Carrilho, George Olímpio conseguiu R$ 400 mil e, com Ximbica, R$ 300 mil. A dívida rendia juros de R$ 25 mil por mês e essa quantia era a única que George Olímpio contou que conseguia pagar até fevereiro de 2011 – depois, com o cancelamento da licitação da Inspeção Veicular, nem isso conseguiu.

A dívida foi então assumida por “ele”, José Agripino. “Eu só tinha como pagar com a inspeção rodando. Eu não tinha como pagar sem isso. Mas eu paguei os juros e os R$ 300 mil. Foram R$ 450 mil mais o nome emprestado para esse dinheiro ir para ele”, relembrou George Olímpio.

Áudio de João Faustino confirma propina para Agripino

Um “direito certo”, mas que precisava do apoio do senador José Agripino para ser validado. Era assim que o réu George Olímpio via a inspeção veicular no Rio Grande do Norte ou, pelo menos, foi isso que ele demonstrou em conversa gravada por ele com João Faustino, falecido no ano passado. A gravação, entregue pelo réu ao processo, foi liberada pelo Ministério Público do RN na tarde desta terça-feira, e reforça o depoimento de George prestado após a delação premiada. Reforça, também, os pagamentos feitos para a campanha do senador e da governadora do DEM, que, aparentemente, eram de conhecimento de outros envolvidos, como João Faustino e Carlos Augusto Rosado, marido de Rosalba Ciarlini.

Durante o dialogo, George Olímpio relembra a João Faustino o que foi doado para a campanha do senador e pede que Agripino interfira no entendimento do Executivo com relação à inspeção veicular. Segundo George Olímpio, Agripino deveria ligar para o então procurador-geral do Estado, Miguel Josino (falecido também no ano passado), e para a governadora Rosalba Ciarlini, e dizer para eles entenderem a lei aprovada na Assembleia Legislativa como “constitucional”.

Essa seria a “solução administrativa” proposta por George, consequência do receio dele de ser julgado pelo Tribunal de Justiça, mesmo tendo um “direto certo”. O réu, inclusive, ressalta o desejo de levar o caso para julgamento na Justiça Federal – o que acabou não se viabilizando e o processo seguiu no judiciário potiguar.

Relembra-se que essa é apenas uma das várias gravações feitas por George Olímpio e entregues ao MPRN após a assinatura da delação premiada, motivada, segundo ele, pela falta de apoio dos demais envolvidos e o “arrependimento” por sua conduta.

Miguel Josino, por sinal, seria o principal obstáculo para a mudança do entendimento dessa lei, por julgá-la inconstitucional. O posicionamento do jurista é exposto por João Faustino em narrativa sobre o encontro que ele teve com Carlos Augusto. “Ele lembra de tudo”, afirma Faustino para tranquilizar George Olímpio e dizer que o marido de Rosalba está ciente que foi ajudado durante a campanha pelo réu.

“(Lembra da) participação do consórcio na campanha e até uma participação mensal depois da campanha”, afirma João Faustino, frisando que Carlos Augusto até comentou: “Essa participação mensal, eu dispenso”.

Fonte: Jornal Hoje

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